
Os actuais quatro canais já sobrevivem com dificuldade, não só pela actual crise, como já antes disso as receitas de publicidade não eram suficientes para garantir o necessário equilíbrio. Isto para já não falarmos das rádios e da imprensa escrita que sobrevive à custa da chamada publicidade institucional, aquela que é feita pelo estado e que representa 40% das receitas publicitárias.
Um novo concorrente para o já de si insuficiente bolo de receitas publicitárias vai fazer depender cada vez mais a sobrevivência dos meios de comunicação social da publicidade do estado, podendo vir esta a fica numa situação de dependência económica dos Governos, o que não será por certo a melhor condição para garantir a isenção que se supõe tenha a comunicação social, seja qual for a sua forma.
Será que o Governo é o único que não sabe que não é sustentável mais um canal de televisão no actual panorama da economia portuguesa, ainda por cima na situação de crise grave e profunda que se vive neste país? Não acredito, acredito sim é que queira precisamente provocar a situação de dependência que lhe permita pôr a espada de Dâmocles sobre a comunicação social.
A existência de uma comunicação social livre e independente é um dos pilares da democracia e é um valor que tem de ser defendido a todo o custo, por isso o Estado tem de exercer o seu papel de regulador tendo em vista objectivos mais profundos que a mera economia de mercado, por isso o Estado tem esse poder, para defender os bens mais preciosos da nossa sociedade, a Liberdade de Expressão, a Democracia e o Estado de Direito.
1 comentário:
O pior disto tudo é o Governo ter lançado o concurso em ano marcadamente eleitoral. Acaba por ser um modo de manietar os Media.
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