quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Sem palavras...



Voltei do Brasil e encontro o país submerso em mais uma crise de desconfiança face ao comportamento da justiça.

Assim resumindo o assunto, o Supremo Tribunal de Justiça manda destruir escutas telefónicas de conversas entre o José Sócrates e Armando Vara, as seis já analisadas pelo Procurador-Geral da República, de entre as onze existentes. As cinco restantes serão analisadas nos próximos dias e provavelmente terão o mesmo destino.

Confesso que começo a ficar com vontade de voltar para o Brasil. Embora envergonhado, confesso que me sentia por lá mais seguro do que começo a sentir neste país, onde as atitudes da justiça em relação a questões que envolvem o actual Primeiro-ministro começa a levantar muitas suspeitas e onde o comportamento desse mesmo Primeiro-ministro, incapaz de esclarecer cabalmente o seu comportamento, em cada vez mais casos, ainda levanta mais desconfianças. O que espera Sócrates para pedir a divulgação das escutas? Se não há nada de comprometedor...

Mas não nos podemos queixar, democracia cada povo e cada país tem o que merece, tem o que escolheu, ainda que, como escreveu Sá de Miranda : "M´espanto às vezes, outras m´avergonho"

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Tranquilamente...



Paulo Bento demitiu-se. Já se vinha adivinhando que isso iria suceder, apesar da sua sempre tranquilidade ao abordar o tema.

Não sou Sportinguista, nem costumo comentar assuntos de futebol, até porque acho que é uma opção tão subjectiva, emotiva e tão arrebatadora que não há nada a dizer quanto ao clubismo.

Mas francamente , entre escrever sobre o debate do Programa do Governo e a saída de Paulo Bento, este parece-me um tema de maior actualidade e bem mais interessante do que aquela tristeza que se ouviu em São Bento. Por lá é que o "treinador" se devia ter demitido, mas como sempre em democracia o povo terá o que escolheu.

Mas neste caso só gostava de fazer um pouco de justiça a Paulo Bento, repito não sendo adepto do Sporting e até achando ridículo o penteado do senhor e o uso e abuso da "tranquilidade", mas sem fanatismos, devo dizer que a culpa dos maus resultados do clube não é do treinador.

A diferença é que este ano "Liedson não resolve", ninguém resolve pelo Liedson, porque alguns dos que pontualmente resolviam saíram do clube e os melhores jogadores estão em baixa forma e as novas aquisições ainda não provaram a sua qualidade. Depois também é verdade que a sorte não tem ajudado muito.

O Paulo Bento é o mesmo Paulo Bento do ano passado e dos outros anos anteriores, a equipa é que não é exactamente a mesma e os jogadores tem momentos de forma diferentes.

Claro que é mais barato satisfazer a sede de sangue dos adeptos dando-lhes a cabeça do treinador do que de uma boa parte da equipa, se vem que que me parece que se tem de começar incluir nos contratos dos jogadores profissionais clausulas de rescisão com justa causa referentes a maus desempenhos em campo, se assim fosse acho que muito boa gente punha as barbas de molho e futebol ganhava muito.

Bom, em resumo, a culpa dos maus resultados é da equipa e do momento de baixa forma que os seus elementos atravessam, Paulo Bento foi apenas o bode expiatório, como acontece com muitos treinadores, se bem que haja também muitos casos em que são eles que merecem ir para a rua por opções estratégicas e humanas erradas. Aqui não me parece ser o caso.

sábado, 31 de Outubro de 2009

De volta




Tomaram posse esta noite os novos órgãos autárquicos municipais, Câmara e Assembleia. Eu voltei à Assembleia Municipal ao fim de 16 anos.

Já tinha feito um mandato de 1989 a 1993, depois estive 4 anos fora dos órgãos, voltei em 1997 até 2005, como Vereador, depois novo interregno de 4 anos e agora de volta à Assembleia.

Embora saiba que não detenho qualquer poder real para influenciar os destinos do concelho, dada a existência de uma maioria absoluta na Assembleia, creio que reviver esta experiência vai ser interessante, até mesmo porque a Assembleia é o órgão de excelência para o debate político e estratégico, permitindo esgrimir argumentos e ideias de modo bem mais apaixonado que na Câmara Municipal.

Enfim, veremos como corre.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Eleições



Com esta dose dupla de eleições ainda nem tinha tido tempo para deixar aqui algumas reflexões sobre o assunto.

Quanto às legislativas já sabemos que todos ganharam, embora eu tenha uma opinião um pouco diferente. Nas Legislativas o PS cumpriu a sua parte para perder as eleições, veio para os 36% que é o mínimo que esse partido normalmente tem, apenas por duas vezes desceu daí, aquando do fenómeno PRD e em 1991 na segunda maioria absoluta de Cavaco Silva. O PSD é que não conseguiu chegar acima disso e portanto só se pode queixar de si próprio. Em 2002, o PS perdeu as eleições com 38% porque o PSD conseguiu chegar aos 40%. Por aqui estamos conversados. O Bloco e o CDS-PP clamaram alto e bom som que tinham tirado a maioria absoluta ao PS, o que é verdade, mas foi também pela dispersão de votos que o PS ganhou, se os eleitores que provocaram a subida do CDS e do Bloco, nitidamente um voto de castigo contra o PS, tivessem concentrado o seu voto no PSD, o PS teria perdido as eleições, mas entendamo-nos, mais uma vez foi o PSD que não conseguiu cativar esse eleitorado descontente com o PS. Agora temos um governo sem maioria liderado por um Primeiro-ministro estruturalmente prepotente e arrogante, o que não é uma boa combinação para a governabilidade do país. Parece-me que daqui as dois anos lá iremos de novo a votos, mas posso estar enganado, veremos.

Hoje decorrem as eleições autárquicas, francamente não sei o que irá suceder em Moura. Tenho a minha opinião, formada com base nas observações e percepções, muitas vezes contraditórias, que fui tendo ao longo desta campanha. Do pouco que quero dizer, saliento que o nível de exigência do eleitorado está a aumentar e que, mais numas freguesias do que noutras, mas sempre com o mesmo sentido evolutivo, as coisas estão a mudar neste concelho e os eleitores irão cada vez mais fazer um voto consciente e diferenciado com base nas expectativas em relação às capacidades pessoais dos candidatos e não apenas com base na força política que os apresenta. É um caminho ainda por trilhar, mas que já começa a ser percorrido.

Daqui as umas horas confirmar-se-ão, ou não, as minhas expectativas, deixo apenas um vaticínio e que é que não haverá grande diferença entre os dois partidos que forem os mais votados.

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Recordando...




Já há algum tempo que não referia isto, mas pelos vistos tenho de voltar a fazê-lo:

Não se publicam comentários anónimos.

Se alguém tem alguma coisa a dizer sobre o que se escreve neste blog ou sobre um qualquer outro assunto, já não exijo clareza nas ideias ou sequer que os comentários sejam inteligíveis, alguns pretendem simplesmente ofender gratuitamente, há falta de argumentos racionais ou sequer emocionais, mas exijo coragem e honestidade, isto é a identificação de quem faz o comentário.

Todos os outros vão directamente para o caixote do lixo, lugar onde pertencem por natureza e normalmente por substância.

Se eu criei este Blog com o meu nome e minha cara, ninguém esconde o seu atrás do anonimato nestas páginas. Quem não gostar...azar!


quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Estratégias...



Francamente Cavaco Silva foi igual a si próprio.

Não percebi se afinal houve ou não houve, ou há, suspeitas de escutas por parte do Governo à Presidência da República.

Não percebi se afinal Fernando Lima foi mudado de funções por ter contactado jornalistas ou por ter dito que o fazia em nome do Presidente e se Cavaco Silva tem dúvidas quanto à veracidade do email então porque é que trocou Fernando Lima de lugar? Se não houve "crime", como ele bem focou, então porque houve castigo?

Que diabo é que a vulnerabilidade do sistema de emails da Presidência tem a ver com o assunto das escutas?

Como raios é que colar Cavaco Silva ao PSD favorecia o PS, se ele tinha uma imagem muito positiva?

Tudo o que percebi é que Cavaco Silva está a tentar emendar a mão para ser reeleito de novo, convencido ainda da história de que os portugueses não põem "os ovos todos no mesmo cesto", não se importando de quem atropela no caminho como sempre fez. Abrindo mais um ponto de conflito institucional, assume-se como "líder da oposição" ao governo e abre um leque de 65% de eleitorado que se opôs à reeleição de Sócrates, sendo que este não vai ter a vida fácil nos próximos meses e tudo o que conseguirá é ir perdendo popularidade à medida que for governando, popularidade que Cavaco irá ganhando na mesma proporção, garantindo assim a sua reeleição.

Aquela história de dizer que o PS o queria colar ao PSD é para apaziguar os ânimos exaltados no PSD, dando a entender que afinal até tentou contrariar a estratégia do PS... será que o senhor acha que somos todos irremediavelmente estúpidos? Podemos parecer...mas....

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Esclarecedor...



Como toda a gente sabe o desemprego cresce a olhos vistos neste país de Sócrates, de tal modo que nem o tradicional emprego sazonal de Verão conseguiu mascarar o crescimento desse flagelo social.

Todos ouvimos o Sr. Primeiro-ministro, José Sócrates, afirmar que o desemprego é uma das suas principais preocupações, aliás já era em 2005, mas os 150 mil postos de trabalho que prometeu criar acabaram por engrossar os números do desemprego.

Mas como estava a dizer, Sócrates vem anunciar que um seu novo governo teria como prioridade o combate ao desemprego e o primeiro exemplo de como irá fazer isso saiu este mês e é a Portaria 985/2009 que veio alterar o sistema da apoio à criação de empresas e do próprio emprego por desempregados e jovens à procura do primeiro emprego.

O resultado é que acabou com a maior parte dos apoios que existiam para criação do próprio emprego e de outros postos de trabalho. Para que se compare e se entenda, um projecto que no regime de apoio anterior tinha aproximadamente 20 mil euros de apoio, agora, com sorte, tem 5 mil e o restante só por empréstimo bancário.

Estamos entendidos quanto ao modo como José Sócrates pensa combater o desemprego. Mais uma vez há uma diferença diametral entre o que Sócrates diz e o que Sócrates faz.

Alô????



O caso das alegadas escutas telefónicas está a marcar a actualidade destes últimos dias e a demissão do mais antigo e tido como fiel assessor de Cavaco Silva por parte deste veio criar um autêntico furacão político nas agitadas águas da campanha eleitoral.

A demissão de Fernando Lima veio dar credibilidade ao email que o referenciava como a fonte da informação, mas não clarifica algumas questões de fundo, bem mais importantes.

Não clarifica se a suspeita de escutas telefónicas por parte do Governo à Presidência da República é partilhada pelo Presidente e se foi este ou não que mandou Fernando Lima falar com o jornalista. A demissão pode ter sido pelo simples facto de Fernando Lima ter referenciado que estava a falar com o jornalista a pedido do Presidente ou até pelo ainda mais simples facto de o nome de Fernando Lima ter vindo a público.

Em qualquer caso, os indícios e os silêncios de Cavaco Silva indicam que a questão das escutas é levada a sério na Presidência, porque a existência da suspeita nunca foi desmentida e esse seria o modo de acabar com este assunto logo à nascença. A partir daqui não se compreende o silêncio de Cavaco Silva após demitir o seu assessor. Se nada tem feito para não perturbar o clima de campanha eleitoral, ainda se admitia, mas após ter demitido Fernando Lima o silêncio não se compreende e já de anda serve porque a tempestade está lançada e agora cada qual interpreta os factos de acordo com os seus próprios interesses.

O PS diz que a demissão prova que a suspeita é falsa, mas está errado, se a suspeita não existisse o Presidente já teria dito que tal suspeita não era verdade e não que só falaria depois das eleições.

O PSD diz que o silêncio do Presidente prova que a suspeita é verdadeira, mas Cavaco Silva demitiu o homem que alegadamente tornou pública essa suspeita, retirando credibilidade à mesma.

Por situações menos graves, Cavaco Silva, já veio falar ao país, então porque espera o Presidente para clarificar este assunto? Ainda para mais quando estamos a escolher o próximo Governo e o assunto implica o actual Governo cujo Primeiro-ministro se recandidata, será correcto que os portugueses decidam sem ter toda a informação sobre um tema desta gravidade?

Segundo muitos analistas a decisão de Cavaco Silva só veio prejudicar o PSD e dar argumentos ao PS, que assim pode por em causa a veracidade da história das escutas, mas tal intenção não faria sentido quando o próprio Presidente disse não querer intrometer-se nas questões partidárias da campanha ou será que faz quando estamos a aproximar-nos de eleições Presidenciais?

A única forma de Cavaco Silva preservar a sua imagem é dizer o que tem a dizer antes das eleições, caso contrário 1995 voltará inevitavelmente à memória.