Domingo, 6 de Maio de 2012

Antes pelo contrário...

A forma de fazer política em Portugal raia muitas vezes as fronteiras do ridículo.

As reacções à promoção do Pingo Doce no dia 1 de Maio são um claro exemplo disso, um claro exemplo que os nossos políticos ainda não se convenceram que não podem saltar para a carroça da revolução cada vez que lhe passa à porta.

Do ponto de vista social, uma promoção dessas dimensões em tempos de grande austeridade foi bem-vinda e acredito que a quase totalidade dos consumidores gostariam que se repetisse mais vezes e em mais cadeias de supermercados.

Do ponto de vista político não é um facto. Foi uma decisão de uma empresa privada e caso exista alguma ilegalidade existem autoridades para a averiguar e proceder em conformidade, logo, porque cargas de água é que os nossos políticos têm de andar a comentar decisões de gestão de empresas privadas? Só porque foi notícia e pretendem ter algum tempo de antena na comunicação social ou acham que têm de opinar sobre tudo o que se passa em Portugal? Não têm mais que fazer? Não têm preocupações mais importantes? Já olharam bem para o estado do país?

Mais ridículo ainda é pedir uma audição do Ministro da Economia por causa de uma campanha de promoção em supermercados, isso então é autêntica chicana política para inglês ver.

Começo a pensar que um imposto sobre figuras tristes e posturas ridículas poderia contribuir seriamente para ajudar a equilibrar o défice..fica a ideia ;)

Terça-feira, 20 de Março de 2012

A Oeste pouco de novo...

Este ano ainda não tinha publicado nada aqui. Não por falta de motivos, mas sim por dificuldade em conciliar o tempo com a inspiração.

A evolução da nossa situação confirma o que se esperava para este ano. O Governo a impor os sacrifícios inevitáveis dada a herança socrática, agitação social promovida pelos suspeitos do costume e a principal oposição num registo anedótico a querer limpar a sua total responsabilidade pelo estado caótico em que deixou o país.

Nada de novo portanto e nada que não fosse expectável, é fácil dizer que não concordamos com as medidas de austeridade, difícil é apontar alternativas, dizer como cumprir os compromissos que nos permitem continuar a pagar as despesas publicas e é bom lembrar que essas despesas são os ordenados da função pública, a segurança, a saúde, a educação, os transportes, etc.. e não reduzir as despesas que vão muito além do que produzimos.

No meio de tudo isto, novidade apenas os ténues sinais de esperança que vieram do Ministro das Finanças e do Primeiro-ministro que apontam uma recuperação mais rápida que o projectado. Esperemos que assim seja e que os portugueses se lembrem por muitos e longos anos de quem nos colocou nesta triste e calamitosa situação e não voltem a dar a sua confiança a vendedores de banha de cobra, que com incompetência, incúria e promessas de facilidades nos levaram à beira da bancarrota.

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

A fúria do paciente


Diz-se que não há pior reacção de fúria que aquela de quem é muito paciente, muito tolerante, quando perde finalmente a paciência e se cansa de tolerar determinadas situações.

O Ano de 2012 será um ano decisivo para a reconquista da credibilidade de Portugal nos mercados financeiros internacionais, mas também no plano interno, o cumprimento das metas do défice, será decisivo para alimentar a muita paciência que os Portugueses têm demonstrado face à classe política.

Se é verdade que, globalmente somos responsáveis pelas escolhas que fizemos e por termos andado a eleger vendedores de banha de cobra, também não é menos verdade que há quase uma década que, ciclicamente, andamos a apertar o cinto e sem que desses sacrifícios se vejam os resultados prometidos.

A nossa forma de ser e estar, os nossos “brandos costumes”, têm levado a que aceitemos de modo civilizado todo este percurso de constante austeridade, mas todos nós temos um limite para a nossa paciência e um dia acordamos com ela esgotada e depois reagimos de modo brusco e definitivo.

Para o ano a contribuição das receitas extraordinárias, as que existirem, terá um impacto muito menor do que neste ano, pelo que terão de ser os ajustamentos estruturais a pagar a parte de leão da factura de redução da despesa e isso implicará uma muito cuidada execução do orçamento, sem desvios e sem derrapagens, porquanto qualquer deslize pode comprometer todo esforço, e é muito, feito pelos portugueses.

Assim, a execução orçamental de 2012 é algo mais do que o simples cumprir de compromissos, é a consubstanciação da esperança de sair definitivamente deste ciclo de empobrecimento e de divergência com a média de desenvolvimento da União Europeia e da construção de um país economicamente sustentável e socialmente mais justo, porque tenhamos sempre bem presente que sem capacidade financeira não há justiça, não há apoios, nem bem-estar social.

Apesar de todas as dificuldades, de todos os sacrifícios, se conseguirmos cumprir as nossas metas, 2012 poderá ser um bom ano para Portugal, poderá ser o ano da viragem para um futuro melhor. É essa a esperança.

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

A verdade inconveniente

Os portugueses estão demasiado habituados ao politicamente correcto, ainda que esse politicamente correcto seja uma mentira descarada por parte de um político ou governante.

Hoje, temos como Primeiro-ministro alguém que não mente aos seus concidadãos e em consequência surgem aqui ou ali algumas indignações pelos comentários ou afirmações de Pedro Passos Coelho.

A questão da dita sugestão aos professores desempregados para emigrarem é um bom exemplo desse mau hábito da nossa sociedade.

Todos sabemos que a população em idade escolar está a diminuir e consequentemente o número de professores necessários irá também diminuir. Por outro lado o estado não tem de garantir emprego a todos os cidadãos que pretendem ser ou que já foram professores, a educação existe para os alunos, não para garantir emprego aos professores.

Perante este problema, o Primeiro-ministro poderia ter adoptado uma de duas posturas. Ou fazia como habitualmente e dizia: vamos tentar resolver o assunto, esperem em casa que surjam oportunidades de voltar a leccionar, o que ele sabe ser uma mentira para a maior parte dos docentes desempregados ou dizia a verdade e recomendava que olhassem para outras opções de carreira.

Todos reconhecemos que esta é uma verdade inconveniente, todos sabemos que o que quem está no desemprego quer ouvir é palavras de esperança e a garantia dos governantes em como vão resolver o seu problema e arranjar-lhe emprego, mas o problema é que isso, na maior parte dos casos, não passam de palavras vãs, de falsas promessas e para isso não contem com este Primeiro-ministro.

Pedro Passos disse a verdade. Simplesmente a verdade. Não se comprometeu a arranjar empregos na docência quando sabe que isso não poderá ser feito a curto prazo, nem podia recomendar aos professores desempregados que ficassem em casa à espera que um emprego lhes caísse do céu, portanto disse-lhes o que podia dizer e aquilo que muitos portugueses que querem ser professores e não têm colocação no país já fazem e que é dar aulas no estrangeiro.

Seria ideal que Portugal pudesse dar emprego a todos os seus professores, como a todos os seus cidadãos, qualquer que fosse a suas profissão, mas isso não é verdade, há desemprego e o país está numa situação financeira e económica assaz complicada, logo por muito que seja desagradável de ouvir, eu preferia que o meu Primeiro-ministro me dissesse a verdade do que me enganasse com falsas esperanças que não sabe, nem é previsível, que venha a poder cumprir.

Mas isto sou eu que prefiro a verdade à mentira, ainda que politicamente correcta.

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Palavras não eram ditas...

Escrevia eu que motivos para comentários não faltam e heis-que um Sr. Vice da Bancada Parlamentar do PS abre a boca e deixa falar o espírito.

O Sr. Deputado Pedro Nuno Santos, afirmou e repetiu para o caso de alguém não ter ouvido à primeira, que se está a marimbar para pagar a dívida e que, note-se este particular, se nós disséssemos que não íamos pagar os banqueiros alemães ficariam com as pernas a tremer.

O que me impressiona não é a bravata do Sr. Deputado, isso até lhe dou de barato, o que me impressiona é que ao fim deste tempo todo e tanta discussão sobre o assunto, um deputado da nação ainda não tenha percebido que somos nós que precisamos que nos emprestem dinheiro e que se disséssemos que não íamos pagar ninguém nos emprestava nem mais um euro e portanto em pouco tempo não haveria dinheiro para pagar os serviços do estado, os salários dos funcionários públicos e os serviços que o estado compra aos privados.

O que me impressiona é que um deputado da nação não saiba que, mesmo com os fundos de pensões, com os cortes na despesa, com os aumentos de impostos, este ano ainda vamos gastar mais 4,5% do que aquilo que produzimos e esse excesso tem de ser financiado, tem de ser pago através de empréstimos desses tais senhores, alemães, americanos ou ingleses, ou sejam lá de onde forem, a quem o Sr. Deputado quer pôr as pernas a tremer.

A verdade é que infelizmente neste país, altos dignitários de cargos públicos, quando não têm a responsabilidade directa de governar dedicam-se a fazer política barata,a dizer asneiras populistas, no mau sentido do termo, e a ter uma postura de total irresponsabilidade em relação aos verdadeiros interesses de Portugal.

Realmente o Governo devia seguir as orientações do Sr. Deputado Pedro Santos e depois, quando não houvesse dinheiro para pagar, mandava os funcionários públicos, os credores, etc.. ter com o Sr. Deputado para ele lhes pagar...gostava de ver isso.

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Inspiração

Confesso que tenho andado algo ocupado nos últimos tempos e também a inspiração não tem sido muita, não por falta de assuntos que mereçam ser comentados, talvez mais por falta de paciência para muitas vezes dizer o óbvio que parece escapar a tanta gente bem pensante.

Em qualquer caso espero voltar em breve a deixar aqui as minhas opiniões para quem tiver a paciência de as ler.

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

A qualidade da quantidade...

Desde há uns dias para cá tenho visto umas faixas negras a clamar contra a extinção de freguesias.
Confesso que à primeira vista não queria acreditar. Sempre tive os autarcas por gente muito séria, e continuo a pensar assim, até porque fui e sou autarca e disso tenho orgulho, mas não posso deixar de apontar esta mácula no seu comportamento.

Não está, nem nunca esteve em causa, a continuidade da existência das actuais freguesias. Não se pode é tentar confundir Freguesia, unidade territorial, com órgãos autárquicos de freguesia, isto é com a Junta de Freguesia e Assembleia de Freguesia. Estas faixas negras são uma tentativa menos séria de explorar a afectividade das pessoas à sua freguesia, porque não se pretende extinguir nenhuma freguesia, mas sim ter uma junta e uma assembleia para mais do que uma freguesia reduzindo assim o numero de eleitos.

Eu compreendo os Presidentes de Junta, afinal o que vai estar em causa é se conseguem ser eleitos numa área maior, com população que não conhece bem o seu trabalho, haverá menos lugares e claro que têm também a concorrência directa dos outros Presidentes, quer dentro do seu partido, quer fora. É incomodo e traz insegurança, mas não justifica que se tente enganar as pessoas dizendo que se vão extinguir as freguesias. Apenas haverá menos eleitos locais.

É curioso que neste país toda a gente quer reduzir o numero de deputados. E o de autarcas? será que não é possível fazer o mesmo com menos autarcas?

Vejamos o exemplo da Cidade de Moura, presumivelmente desta alteração resultará apenas uma Junta e uma Assembleia para as Freguesias de São João Baptista e de Santo Agostinho. Estes órgãos serão compostos, isto é o numero de elementos, conforme nova área que irão gerir e tal como está previsto nos termos da Lei. Podem dizer-me que será mais complexo, mais pessoas, mais ruas, mais problemas. É verdade, mas também é verdade que noutras zonas do país há freguesias que são maiores que o nosso concelho e se esses autarcas conseguem gerir as suas freguesias, estou certo que os nossos também...pode é dar mais trabalho, mas é para isso que nos candidatamos a autarcas, para trabalhar e servir as populações, digo eu.

Esta proposta de redução do numero de órgãos autárquicos parece-me globalmente muito positiva, haverá concerteza excepções, mas vai trazer escala e um melhor aproveitamento dos parcos recursos do país.

Tenho no entanto um reparo a fazer a esta iniciativa, devia ter ido mais longe e mexer também na questão dos municípios, porque, sejamos francos, há municípios que são mais pequenos do que freguesias de outros e que não representam qualquer vantagem para as populações por falta de dimensão e de capacidade. Mas isso são contas de outro rosário que ficam para outro dia.