sábado, 24 de janeiro de 2009

"FREEPORTGATE" ???

O caso Freeport teve recentemente novos desenvolvimentos, politicamente muito complicados e mesmo insustentáveis no médio prazo para José Sócrates. Em resumo temos os seguintes dados:

Em 2005, o actual Primeiro-ministro afirmou nada ter tido a ver com o licenciamento do Freeport, que ocorreu à pressa, quando era Ministro do Ambiente de António Guterres, nas vésperas das eleições que levaram ao afastamento do PS do poder em 2002.

As autoridades judiciais inglesas que estão a investigar o caso terão, alegadamente e segundo o que veio publicado na comunicação social, cópia de um vídeo em que um administrador inglês e um sócio da empresa consultora, que ajudava a licenciar o processo, referiam o pagamento de luvas a um ministro para facilitar o licenciamento.

O tio de José Sócrates vem afirmar que facilitou um encontro entre o então ministro do Ambiente e responsáveis da Freeport que se destinou a esclarecer alegadas acusações de corrupção. Isto porque Charles Smith se estaria a queixar de que teria de pagar quatro milhões para conseguir o licenciamento do Freeport, um assunto fácil de ficar na memória concordemos. O primo de José Sócrates confirma o mesmo encontro.

Depois disto, José Sócrates admite que o tio lhe possa ter pedido para falar com o representante da consultora mas diz não se lembrar desse facto.

A situação do Primeiro-ministro é complicada, de alguma forma é um familiar seu que o implica directamente neste caso e faz pender sobre ele suspeitas insustentáveis politicamente se tudo isto não for cabalmente esclarecido a muito curto prazo. José Sócrates não pode ir para eleições com suspeitas desta natureza a serem veiculadas na comunicação social. Provavelmente, se não fosse Primeiro-ministro, mas apenas ministro, já se teria demitido até que tudo estivesse esclarecido como fizeram outros no passado.

O Freeport não era o licenciamento de uma pocilga e um alegado pedido de reunião feito pelo tio por causa de alegados pagamentos de 4 milhões de euros para licenciar o Freeport não é assunto que se esqueça facilmente, portanto algo aqui não bate certo e levanta dúvidas, pelo que José Sócrates terá de esclarecer muito bem todos os passos e todos os momentos do processo do licenciamento, feito a três dias das eleições.

Acima de tudo isto é determinante, diria mesmo vital para a credibilidade do sistema que a justiça, no mais curto espaço de tempo, esclareça toda esta baralhada para que de uma vez por todas este assunto seja definitivamente encerrado sem margem para dúvidas sobre o comportamento seja de quem for.

1 comentário:

milita disse...

Portugal é já um país sem ponta por onde se lhe pegue: os escândalos multiplicam-se, a classe política está decadente e este povo continua a dormir.As investigações em curso no caso Freeport, julgando seja quem for, mas espero que este caso seja rapidamente clarificado para bem deste canto do sul da Europa, que se assemelha cada vez mais a um caixote de lixo. Este é só mais um caso entre muitos a que nos vamos habituando e começa a ser banal que os intervenientes saiam inpunes, á mercê das mais indecentes jogadas de bastidores. Acredito que não há fumo sem fogo e que mais este caso parece cheirar a esturro, parece! Tudo o que foi dito até ao momento sobre o caso em apreço, parece indiciar a existência de ilegalidades que devem ser investigadas até a exaustão, doa a quem doer. Não deixa de ser suspeita a forma como se aprovou o licenciamento do Freeport e Sócrates, pode dizer o que quiser, como disse, que o processo não passou pela mão dele. Mas a pergunta que se coloca é simples: não era Sócrates ao tempo, Ministro do Ambiente, ou seja o patrão da tutela? Oxalá não seja mais um caso para arquivar por falta de provas